Na Semana da Mulher: Edna Manley

Edna Manley OM (1 de março de 1900 – 2 de fevereiro de 1987) foi escultora e colaboradora à cultura jamaicana, além de esposa de Norman Manley, fundador do Partido Popular de Jamaica. Com frequência é considerada a “mãe da arte jamaicano.” É filha do clérigo inglês Harvey Swithenbank e uma mulher jamaicana chamada Ellie Shearer. Seu pai morreu quando ela tinha nove anos de idade, deixando só a sua mãe para criar nove meninos. Por ser filha intermédia, Edna Manley foi muito independente e impetuosa. Chegou a assistir a várias escolas de arte num período de dois anos, ainda que sentisse que o plano de estudos destas escolas era incrivelmente limitado. Edna eventualmente casou com Manley (seu primo jamaicano) em 1921, e eventualmente foi viver com ele ä Jamaica em 1922. O casal teve dois filhos, Michael Manley (quem se converteu em líder sindical e eventual primeiro ministro, sucedendo a seu pai, Norman) e Douglas Manley, sociólogo e ministro durante o governo de seu irmão.

Estúdios
De jovem teve aulas particulares com o escultor Maurice Harding. Continuou seus estúdios de arte, especificamente de escultura, no Regent Street Polytechnic alem da St. Michael’s School of Art de Londres.

Vida artística
Ter-se mudado a Jamaica teve um impacto profundo em seu trabalho. Abandonou os estudos de zoologia em Londres, e sua obra adquiriu uma “elegância formal inspirada”, de acordo com Boxer. Os materiais de Manley eram principalmente madeiras locais — yacka, mogno, sequoia guatemalteca, zimbro e primavera. Algumas das obras de seu primeiro ano na ilha são “Beadseller” e “Listener”. Ao descrever “Beadseller”, Boxer disse, “Foi como se, inesperadamente, se enlaçassem quase cem anos de desenvolvimento escultural: em sua primeira obra feita em Jamaica, Edna parece ter dado expressão a suas ideias sobre a escultura britânica contemporânea, da que se tinha saturado antes de deixar Inglaterra.” Ambas as peças mostravam um estilo mais progressista e cubista de Manley.

Entre 1925 e 1929, Manley suavizou algumas de suas formas geométricas, substituindo-as com formas maiores e redondas. Seu filho Michael nasceu durante este tempo. “Market Women”, um estudo de duas mulheres voluptuosas sentadas, uma de costa com outra, e “Demeter”, uma talha da mítica Mãe Terra, indicam as influências de Manley no final da década de1920. Na década de 1930 teve outra mudança em seu estilo. Domou as linhas cubistas que usou a princípios da década de 1920 com influencias mais redondas e produz um estilo novo e definitivo que durou até a década de 1940.

Jamaica enfrentava muitas mudanças políticas no final dos 30 e princípios dos 40. Os membros da diáspora africana procuravam tirar o antigo sistema colonial que ainda se mantinha na ilha. Estavam prontos para uma nova ordem social, e expressaram sua inconformidade com o sistema colonial organizando greves (com distúrbios), instigando escassez de alimentos e promovendo marchas de protesto. A obra de Manley nesse tempo reflete essa agitação civil. Obras como “Prophet”, “Diggers”, “Pocomania” e “Negro Aroused” “capturaram o espírito interno de nosso povo e converteram o crescente ressentimento contra a estancada ordem colonial em formas esculturais vívidas, adequadas” escreveu o poeta M. G. Smith.

Suas obras foram expostas frequentemente em Inglaterra entre 1927 e 1980. Sua primeira exposição solista em Jamaica foi em 1937. Este evento marcou um momento decisivo no incipiente movimento artístico de Jamaica, e deu lugar ao primeiro evento grupal de artistas jamaicanos de toda a ilha. Manley foi também uma das fundadoras da nova Jamaica School of Art. Depois de debutar em Jamaica, sua mostra se expôs em Inglaterra, e foi recebida com grandes afagos. Foi a última vez que a obra de Manley seria exposta em Londres por quase 40 anos.

Ativa por uma grande parte de sua vida como artista, também ditou aulas na Jamaica School of Art, atualmente um componente da Edna Manley College of Visual and Performing Arts.

‘Negro aroused’
Estando em Londres, Manley escutou que o povo de Jamaica tinha reunido dinheiro para comprar sua peça “Negro Aroused”. Muitas pessoas contribuíram dentro de suas possibilidades e compraram a peça para começar uma coleção nacional de arte. Ela se sentiu muito comovida por isso, em parte porque ela assegurava que foi uma peça muito difícil de criar: “Negro Aroused… procurava criar uma visão nacional, quase me matou, estava tratando de encarnar algo maior que eu mesma e quase por completo diferente a mim,” declarou Manley a Sculpture Review.

A escultura original de “Negro Aroused” foi criada em 1935 e exposta pela primeira vez em 1937. Desde que foi exposta, “Negro Aroused” acordou a imaginação do público, e foi adquirida por contribuição pública e entregada ao Institute of Jamaica para formar o núcleo de uma exposição futura.

Em 1977 começaram as obras para engrandecer esta escultura e criar um monumento aos trabalhadores de Jamaica e o Movimento obreiro, que tinha nascido em 1938. Edna Manley foi comissionada para recrear a obra em bronze, a uma escala de três a quatro vezes maior que a original. Recebeu ajuda de vários escultores jovens. Antes ser enviada a Nova Iorque para o recobrimento de bronze, a versão de sete pés (2.10 m) foi destruída quando se incendiou a bodega onde estava.

Em 1982 Manley produziu uma terceira versão, mais próxima em tamanho à original, mas que incorporava alguns das subtis mudanças que tinha introduzido na escultura destruída.

Em 1991 a escultura foi engrandecida postumamente utilizando a técnica “scaling up” das forjas de bronze para engrandecer as esculturas. Selecionaram a terceira versão porque era mais próxima em tamanho à versão destruída. O custo se cobriu com participação pública.

Política e arte
Norman Manley entrou à política e fundou o Partido Popular em 1938. Ainda que Edna Manley duvidasse ao princípio, cedo aceitou o lugar de seu esposo — e o seu próprio — na política jamaicana. Também desenhou o logotipo do sol nascente para o partido. O princípio do novo governo de Jamaica — e o fim do colonialismo — se refletiu na obra de Manley, que naquele tempo abordou os temas cíclicos, de nascimento e morte, do sol e a lua. Seu trabalho também teve uma forte influência da natureza que a rodeava em Nomdmi, o refúgio de montanha que construiu com seu esposo.

As décadas de 1950 e 1960 foram calmas para Manley como artista. Seu esposo se envolveu mais na política e se converteu no primeiro ministro de Jamaica em 1955. As responsabilidades de Manley como esposa de um político lhe deixaram pouco tempo para a arte. Em 1965 criou uma estátua de Paul Bogle para comemorar sua participação na rebelião de Morant Bay. Esta estátua foi muito polêmica porque foi a primeira estátua pública jamaicana que representava a um homem negro. Manley também regressou, em suas talhas pessoais, às esculturas animais que fez de jovem.

Em 1969 o esposo de Edna (Norman Manley) faleceu. Ele ajudou a Jamaica a conseguir a independência total de Grã-Bretanha em 1962. As talhas de Manley durante este período foram muito pessoais — reflexões sobre a morte de seu esposo, sua dor e a sensação de perca. Retirou-se às montanhas e criou “Adeus” uma peça interpretada como dois amantes num último abraço e “Woman” uma mulher agonizante em reclusão. O final deste período de duelo o marcou a criação da triunfante “Mountain Women”. Tinha conseguido aceitar a perda de seu esposo. “Senti que como minhas raízes estavam em Jamaica, poderia sobreviver,” declarou a Americas. “Foi meu regresso ao mundo depois de um período de intenso duelo.”

Depois de criar várias talhas mais profundas, incluindo “Faun”, “Message”, e “Journey” Manley deu suas cunhas a um jovem escultor jamaicano e declarou que nunca voltaria a trabalhar com madeira. Em lugar disso trabalhou com terracota moldada ou com gesso. Durante a década de 1970, os temas principais da obra de Manley foram expressões da imagem de uma “avó” ou uma “anciã”, da sociedade matriarcal e recordações da vida com seu esposo Norman.

Manley continuou esculpindo até sua morte em 1987. Ainda que muito de seu trabalho foi intensamente pessoal, criou uma obra escultórica que encarna a cultura e o espírito jamaicano. O novelista inglês, Sir Hugh Walpole, colecionador de sua obra, disse na abertura de sua exposição de 1937 em Londres. “Existe aí um muito estranho e curioso espírito e Manley se adentrou nesse estranho espírito”, “Existe em Jamaica uma beleza que encontra sua expressão através dela, que vem em parte dos materiais jamaicanos que usa, em parte de sua própria individualidade e, em parte também, eu acho, do sentido particular da beleza que os jamaicanos possuem.” Para Manley, expressar a beleza de Jamaica foi sua segunda natureza. “Eu talho como jamaicana para Jamaica,” declarou a Americas, “tratando de entender nossos problemas e vivendo cerca do coração de nossa gente.”

Morte
Quando Manley morreu em 1987 se lhe fez um funeral oficial e foi enterrada na tumba de Norman Manley no National Heroes Park, porque aparte de sua relação com um herói nacional (seu esposo Norman Manley) seu aporte à arte de Jamaica lhe ganhou o título não oficial de “Mãe da arte jamaicano”.

Edna Manley College of the Visual & Performing Arts
Anteriormente conhecida como Jamaica School of Art, esta escola mudou de nome a Edna Manley College of the Visual & Performing Arts em 1995. Isso foi parte de sua reclassificação como instituição terciária. Edna Manley foi selecionada em parte por seus aportes à arte de Jamaica, entre eles o ter sido cofundadora da escola em 1950.

Obras
Suas obras incluem: “Whisper”; “Into The Mist”, “Before Thought “, “Moon”, “Eve”, “Into The Sun”, “Growth”, “The Ancestor”, “The Mother”, “Negro Aroused”, “Pocomania”, “Diggers”, “Man and Woman”, “Bead Sellers “, “The Trees are Joyful”, “Rainbow Serpent”, “Rising Sun”, “Prophet”, “Ghetto Mother”, “Mountain Women” e outras mencionadas anteriormente.

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