Na Semana da Mulher: Louise Simone Bennett-Coverley

Louise Simone Bennett-Coverley ou Miss Lou, OM, OJ, MBE (7 de setembro de 1919 –26 de julho de 2006) foi uma folclorista, escritora e educadora jamaicana nascida em Kingston.

Carreira
Miss Lou foi artista residente e professora em 1945 e 1946 para o “Carnaval Caribenho.” Teve papéis estelares de comedia em vários programas jamaicanos de pantomima e televisão. Viajou por todo mundo promovendo a cultura de Jamaica com conferências e apresentações. Embora que sua popularidade fosse internacional, tinha status de celebridade em seu natal Jamaica, Canadá e o Reino Unido. Sua poesia foi publicada várias vezes, e entre elas cabe destacar Jamaica Labrish (1966) e Anancy and Miss Lou (1979).

Sua gravação mais recordada é provavelmente é a versão que fez em 1954 da canção tradicional jamaicana Day Dah Light, gravada por Harry Belafonte como Day O e também conhecida como Banana Boat Song em 1955 num arranjo de Tony Scott com letras adicionais. Belafonte baseou sua versão na gravação de Louise Bennett. Sua famosa versão foi um dos grandes sucessos da década de 1950, e ganhou o primeiro disco de ouro entregado na história.

Entre suas muitas gravações estão: Jamaica Singing Games (1953), Jamaican Folk Songs (Folkways Records, 1954), Children’s Jamaican Songs and Games (Folkways, 1957) Miss Lou’s Views (1967), Listen to Louise (1968), Carifesta Ring Ding (1976), The Honorable Miss Lou (1981), Miss Lou Live-London (1983) e Yes M’ Dear (Island Records). Casou com Eric Winston Coverley em 30 de maio de 1954 e adotou um filho, Fabian Coverley.

Em 1974 lhe foi concedida a Ordem de Jamaica. O dia da independência de Jamaica em 2001, a Honorável Louise Bennett-Coverley foi nomeada Membro da Ordem Jamaicana do Mérito por sua valiosa e particular contribuição ao desenvolvimento das Artes e a Cultura. Ela escrevia seus poemas na linguagem do povo conhecida como patois ou creole, e ajudou a colocar este idioma no mapa e a que fora reconhecido por direito próprio, influindo assim em muitos poetas que fizeram coisas similares; poetas como Mutabaruka.

Em 1986, apareceu como Portia na comédia Clube Paradise, com Robin Williams, Jimmy Cliff e Peter Ou’Toole.

Morreu em Toronto, Canadá o 26 de julho de 2006.

Importância cultural
Seu poema, “Colonization in Reverse” (1966), oferece um contexto histórico a muitas minorias que vivem no Reino Unido nesta época pós-colonial. Seu retrato da experiência jamaicana de fratura e desigualdade racial estabelece um paralelo com a experiência dos sul-asiáticos que vivem em Londres. Ademais, em ambos os casos sobressaem questões de especificidade e identidade cultural. Tanto os jamaicanos como os sul-asiáticos compartilham uma experiência similar ao mudar-se a Inglaterra em procura de emprego e de uma vida melhor, que ademais implica as complexidades da assimilação e a dupla identidade.

Bennett assinala seu conceito de deslealdade cultural quando escreve sobre os jamaicanos em sua busca de melhores oportunidades laborais: “Dem a pour out a Jamaica/ Everybody future plan/ Is to get a big-time job/ An settle in de mother lan.” (se vão de Jamaica / o plano a futuro de todos / é ter um grande trabalho / e se estabelecer na mãe pátria). A referência à “mãe pátria” tem certo grau de ironia ao sugerir que Inglaterra é a nova mãe pátria, em vez de Jamaica. Com essa referência a Inglaterra sugere que seus compatriotas estão sendo assimilados pela cultura inglesa, esquecendo Jamaica, sua “madre pátria.”

Para honrar a Miss Lou e seus lucros, o Harbourfront Centre, uma organização cultural sem fins de lucro de Toronto, Canadá, nomeou uma de suas sedes a Sala de Miss Lou.

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