Fruta Pão: De alimento para os escravos à iguaria exótica muito nutritiva

FrutaPan

A riqueza e variedade gastronômica da Jamaica é um reflexo da diversidade e influência cultural de vários países. Hoje gostaríamos de apresentar uma destas iguarias utilizada na gastronomia jamaicana, que antes era utilizada para alimentar os escravos e hoje em dia é apreciada pelos melhores chefs de gastronomia gourmet do mundo, a Fruta Pão, muito conhecida no Brasil, principalmente no nordeste. 

Introduzida na Jamaica em 1793, a Fruta Pão (breadfruit) começou a ganhar reputação como o próximo superalimento, que em muitos países têm sido adotada para acabar com a fome e diminuir problemas nutricionais. A fruta também tem atraído a atenção dos restaurantes e chefs gourmet como uma iguaria exótica, destacada pela versatilidade e também pelo fato de oferecer um tipo de carboidrato livre de glúten.

Fruta-pão, Árvore-do-pão, Castanheira, Fruta-de-pão, Fruteira-pão, Pão-de-massa, Rima… São alguns dos nomes dados a esta fruta com origem no sudeste asiático, Polinésia e Oceania, cujo nome científico é Artocarpus, fruto cultivado nesta região há mais de três mil anos.

Os primeiros ingleses que visitaram as ilhas da Oceania se surpreenderam ao ver que os habitantes se alimentavam exclusivamente dos frutos desta árvore e então procuraram saber as propriedades e benefícios, o governo inglês financiou varias expedições para espalhar este fruto pelas colônias da América para alimentar os escravos.

 

Do Taiti à Jamaica
Em 1789, o navio Bounty, sob o comando do tenente William Bligh foi vítima de um motim durante a viagem de regresso do Taiti para a Inglaterra. O objetivo da expedição era coletar árvores de fruta-pão e outras plantas originárias do Pacífico Sul, a fim de transportá-los para as Índias Ocidentais para ser utilizado como alimento barato para escravos nas plantações de cana-de-açúcar. Bligh conseguiu escapar em um bote salva-vidas com alguns membros da tripulação, em uma das maiores proezas náutica a bordo de um pequeno barco. Em troca, a marinha britânica o nomeou e encomendou uma nova expedição ao Taiti no navio Providence em busca de seu fruto.

Finalmente, em fevereiro de 1793, alguns espécimes que sobreviveram a bordo desta “floresta flutuante” foram desembarcados na baía de Bath e foram plantados onde hoje é conhecido como o Jardim Botânico de Bath. De lá, a fruta se espalhou para outras partes do Caribe, América Central e América do Sul.

 

Descrição e benefícios

A fruta-pão é uma árvore que cresce facilmente em uma variedade de condições ecológicas. O fruto tem um tamanho ligeiramente menor que uma bola de futebol. Uma árvore adulta pode produzir até meia tonelada de frutas por ano (cerca de 700 frutos) e uma porção de fruta fornece carboidratos suficientes para uma família de cinco.

A fruta é rica em carboidratos como o amido, como arroz, milho ou batata. Através das suas propriedades nutricionais é praticamente uma refeição completa, que proporciona proteínas, carboidratos e fibra, é rico em cálcio, magnésio, fósforo, potássio, ferro, ácido fólico e vitaminas A, B e C.

 

Gastronomia

breadfruit-tree-palmate-leaves-next-to-Ackee

A fruta-pão pode ser consumida cozida no vapor, frita, grelhada, assada, ou moída em farinha. Depois de cozida, tem a consistência de uma batata e o sabor é parecido com pão. As sementes são consumidas cozidas ou assadas e têm um gosto parecido com castanhas.

Todas as partes da planta possuem uma seiva pegajosa como um látex, por isso ela não deve ser separada da pele antes de ser cozida, no entanto, após o cozimento, não há problema, pois a casca solta facilmente.

Na Jamaica a fruta é comumente usada para preparar rolos de massa, bolinhos, saladas, mingaus, pudins, biscoitos, pães e batatas fritas e – um dos favoritos, especialmente quando acompanhado de molho de abacate.
As receitas a seguir são apenas uma amostra das maneiras variadas e deliciosas de preparar esta fruta na Jamaica:

 

Fruta Pão cozidas e recheadas
(Receita de Cortesia do Hotel Mockingbird Hill)

Pegue uma fruta pão de tamanho médio e faça um corte para retirar o miolo como numa maçã.
Preencha o meio com um recheio de ackee e bacalhau ou espinafre e tomate picado com queijo feta.
Então, use o centro de fruta pão previamente que foi removido para cobrir a parte superior da fruta usando como uma tampa.

Pincele azeite na fruta pão e leve ao forno pré-aquecido em 350 ° por 35-45 minutos ou até que um palito saia limpo.
Corte a fruta pão meio depois de assada de modo que cada metade sirva como um barquinho para o recheio.
Sirva com salada verde.
 
Bolo de Banana sem glúten:
(Receita de Cortesia do Hotel Mockingbird Hill)
 
Ingredientes
 
• ½ xícara de manteiga derretida
• 1 xícara de açúcar refinado
• 2 ovos
• 1 colher de chá de essência de baunilha
• ½ colher de chá de noz-moscada
• ½ colher de chá de canela em pó
• 1 ½ xícaras de farinha de fruta pão
• 1 colher de chá de sal
• 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
• 1 colher de chá de fermento em pó
• ½ xícara de leite
• Suco de 1 limão
• 3 Bananas amassadas
Para o Glacê
• ½ xícara de manteiga sem sal
• ¼ xícara de água
• 1 xícara de açúcar granulado
• ½ xícara de rum escuro
Para o Glacê de rum e pecã
• 1 xícara de açúcar
• ¾ xícara de creme de leite
• ¼ xícara de rum branco
• 3 gemas grandes
• 1 xícara de nozes-pecã, picada
• ½ colher de chá de extrato de baunilha puro
 
Instruções
 
1. Pré-aqueça o forno a 350 graus. Unte uma forma de bolo. Em uma tigela grande, misture a manteiga derretida e o açúcar. Adicione os ovos e a baunilha e misture bem.
2. Misture o leite, o suco de limão e bananas e bata a massa.
3. Misture a farinha, o bicarbonato, o fermento em pó, sal e especiarias misture bem. Adicione à massa.
4. Espalhe uniformemente na forma. Asse em forno a 350 graus por 60 minutos ou até que um palito inserido no centro do bolo saia limpo. Deixe o bolo esfriar por 10 minutos antes de retirar da forma para esfriar completamente.
Para o Glacê de Rum
5. Em uma panela pequena, derreta a manteiga. Adicione o açúcar e a água e leve para ferver; em seguida, diminua o fogo e cozinhe por 5 minutos até engrossar. Retire do fogo e junte o rum.
Para o Glacê de Rum e Pecã
6. Misture o açúcar, o creme de leite, o rum e as gemas de ovos em uma panela média em fogo médio, mexendo sempre, até que a mistura solte da colher, cerca de 5 minutos. Misture as nozes. Continue a cozinhar e mexa até que fique dourada e encorpada, cerca de 5 minutos a mais. Misture a baunilha. Retire do fogo e deixe esfriar. Esta mistura será usada para a cobertura do bolo.

 

Clique no ícone abaixo para baixar o conteúdo do artigo.

archivo

Agregar Comentário