Jamaica

Geografia

Com 10.991 quilômetros quadrados, a Jamaica é aproximadamente do tamanho de metade do Estado de Sergipe, e está localizada a 322 quilômetros (200 milhas) do litoral do Estado americano da Flórida no oeste do mar do Caribe. Originalmente vulcânica, a ilha é montanhosa, com picos que chegam a  2.256 metros (7.402 pés) de altura, superiores a quaisquer outros na metade oriental da América do Norte. As montanhas atravessam o centro da ilha e são rodeadas por estreitas planícies costeiras e praias de areia branca. Mais de 120 rios e muitas cachoeiras irrigam o solo. Grande parte da ilha é de calcário com cavernas e recifes, fornecendo filtros naturais para a água. Frondosos pinheiros e flores do hemisfério norte crescem nas altas montanhas do leste, onde as noites podem ser frias e o uso de agasalhos é às vezes necessário.

A planície da costa sul lembra as savanas africanas ou as planícies indianas contrastando suas rochas negras com suas praias de areia branca. As nascentes de água mineral são tão ricas quanto as de Baden Baden, na Alemanha e suas florestas tropicais desenham uma paisagem esmeralda que lembra o sul da Inglaterra, com a diferença de contar com uma infinidade de palmeiras.

Fauna e Flora

Quase tudo que se cultiva cresce na Jamaica. No auge do Império Britânico, flores exóticas e árvores frutíferas foram trazidas da Ásia, do Pacífico e da África. Àquela época, o capitão William Bligh foi responsável por trazer as sempre-vivas do Canadá, rosas e mastruz da Inglaterra, e a fruta-pão do Tahiti.

Em contrapartida, o abacaxi nativo da Jamaica foi enviado para o Havaí, além de mudas do famoso café Blue Mountain que geraram as as atuais culturas conhecidas no Havaí como café Kona. O seu mogno foi enviado à América Central. Diversas variedades de orquídeas, bromélias e samambaias são exclusivas da Jamaica, e algumas frutas, como a manga Bombaim, é mais saborosa aqui do que em qualquer outro lugar do hemisfério.

A Jamaica é conhecida por sua grande variedade de espécies de aves, tanto nativas e quanto migratórias. Eles variam em tamanho, e vão desde o diminuto beija-flor, ao misterioso Rufous-throated Solitaire, espécie nativa do Caribe reconhecido pelo seu canto que lembra um choro triste. O beija-flor de bico-vermelho é considerado o pássaro símbolo da Jamaica e é ali de apelidado “Doctor Bird”. Sua cauda serviu de inspiração para o logotipo da companhia aérea nacional, a Air Jamaica.

Os turistas que visitam os resorts da costa norte da ilha costumam conhecer também o pássaro negro e brilhante de cauda longa, chamado Kling Kling, que circula com a elegância de um dançarino e faz aparições freqüentes nas mesas de café da manhã da região. As montanhas mais altas são o habitat da Homerus Pterourus, uma das maiores borboletas no hemisfério ocidental.

História

a) A Chegada dos Espanhóis
Independente desde o 6 de agosto de 1962, a Jamaica teve sua costa disputada por muitas nações ao longo dos últimos cinco séculos. Quando Colombo avistou a ilha em sua segunda viagem, em 1494, resgistrou em seu diário: “A mais bela ilha jamais vista … as montanhas tocam o céu.”

Então chamada de Xaymaca, que significa terra da madeira e da água, a Jamaica foi o lar de cerca de 600.000 Tainos, um pacífico povo ameríndio. Os Tainos deram as boas vindas aos espanhóis, com seus navios, armas e cavalos, honrando-os como deuses. Sob a colonização espanhola, no entanto, a população Taino toda foi aniquilada por uma combinação de trabalhos forçados, execuções em massa e doenças trazidas da Europa contra as quais não tinham imunidade. Em 1503, contrariando as ordens da Coroa Espanhola e percebendo o fim da sua vida, Colombo morou um ano na Jamaica. Após sua morte, a ilha foi herdada por seu filho, Diego, cujos descendentes ainda hoje carregam o título honorário de Marquês da Jamaica.

Em 1509, Nova Sevilha se estabeleu como a capital da ilha, localizada perto de uma cidade chamada Las Chorreras (as cachoeiras). Os conquistadores ingleses não entenderam o nome espanhol e passaram a chamá-la de Ocho Rios, que em espanhol significa Oito Rios. Atualmente, a antiga cidade de Nova Sevilha é objeto de estudo de escavações arqueológicas que ainda buscam dois navios que Colombo teria deixado  encalhar naquelas proximidades.

Após sua chegada, os colonos espanhóis passaram a criar gado e a produzir  banha, que eles chamaram de Manteca, feita a partir de porcos selvagens. A “manteca” passou a ser exportada a partir de um porto localizado na calma costa norte da ilha, hoje conhecida como Montego Bay. Para os espanhóis, a Jamaica tornou-se um ponto estratégico de reabastecimento de provisões para os seus navios que iam para a América Central em busca de ouro.

O futuro da Jamaica, no entanto, foi marcado em grande parte por dois acontecimentos importantes: a importação de cana-de-açúcar, e a vinda de escravos da África para cultivá-la. Durante quase 200 anos a indústria do açúcar floresceu e se fortaleceu, gerando enormes fortunas, sempre apoiada em um número crescente de escravos.

b) O Domínio Britânico
Os ingleses invadiram e dominaram a ilha em 1655, fazendo os espanhóis fugirem da nova capital de St. Jago de la Vega, hoje Spanish Town, perto de Kingston, e refugiarem-se em Cuba. Cidades jamaicanas, como Runaway Bay (Baía da Fuga), foram nomeados para comemorar a saída dos espanhóis. Um jovem fazendeiro do País de Gales, chamado Henry Morgan, tinha se tornado um pirata infame, e acabou se convertendo  no Governador da Jamaica. A cidade onde morava, Port Royal, localizada em uma península próxima a Kingston, ficou conhecida como o mais rica e mais cruel da cidade da cristandade até 1692, quando um terremoto derrubou quase toda a cidade no mar. O ano de 1690 testemunhou a organização das colônias americanas, que por sua vez, tiveram impacto direto na história da Jamaica.

c) O Crescimento do Espírito de Independência
Enquanto magníficas Casas Grandes, como Rose Hall e Greenwood, eram construídas no meio aos vastos campos de plantação da cana, e as fortunas geradas pelo açúcar eram invejadas por muitos, o espírito de independência tomou formas diferentes entre fazendeiros e escravos.

Os escravos conheciam bem as histórias dos Maroons, descendentes dos escravos fugitivos dos  colonizadores espanhóis, que os chamavam de “cimarrones”, que em espanhol significa, “fujões”. Os Maroons viviam nas montanhas, desafiavam as tropas britânicas, evitavam as plantações, e passaram a atrair cada vez mais fugitivos. Um tratado de paz assinado em 1739 concedeu-lhes autonomia sobre o local onde moravam, que eles ainda hoje mantêm.

Os fazendeiros também se rebelaram. Quando as 13 colônias americanas declararam a independência da Grã-Bretanha, a Assembléia Legislativa da Jamaica votou para se juntar a eles, provavelmente porque a maioria do seu comércio era feito com a América. Naquela época, a Espanha, a França e a Holanda também declararam guerra à Inglaterra. A Jamaica então passou a ser comandada por um jovem oficial da marinha chamado Horatio Nelson. Uma placa no Forte Charles em Port Royal lembra aos visitantes: “Você que trilha suas pegadas, lembre-se também da glória que ele trouxe.”

d) Emancipação
Um período de depressão econômica e instabilidade social seguiu-se após a abolição da escravatura em 1838. Em 1865, a Rebelião de Morant Bay foi um marco importante na história da ilha. Seus líderes, um diácono batista chamado Paul Bogle e um empresário rico de Kingston, George William Gordon, foram ambos executados e hoje são considerados heróis nacionais da Jamaica. Em meio ao pânico que se seguiu à rebelião e os seus desdobramentos brutais, a Assembléia Legislativa da Jamaica votou pela revogação da sua independência, e a ilha voltou a se tornar uma colônia da Coroa sob domínio da Grã-Bretanha.

A Jamaica se tornou uma combinação de muitas nacionalidades. Unidas à maioria negra, uma minoria européia e uma crescente população mestiça testemunhou o crescimento de uma próspera classe média de profissionais à qual foram acrescentados imigrantes da Índia e da China. Vindos como trabalhadores contratados para as fazendas de açúcar, rapidamente mudaram-se para outras ocupações. A antiga comunidade judaica expandiu-se e comerciantes árabes chegaram à ilha. Esta fusão de diversas nações formou a base do lema nacional da Jamaica, “Out of Many, One People” (“Resultado de Muitos, Um só Povo”).

A vontade de vencer levou muitos jamaicanos ao exterior. Eles saíam em busca de inúmeros desafios: lutar nas guerras da Grã-Bretanha, construir o Canal do Panamá, plantar  cana de açúcar em Cuba, cultivar o mogno em Belize e buscar fama e fortuna. Jamaicanos espalharam o seu talento e sua visão por todo o mundo, fundando comunidades que cresceram e prosperaram.

e) Mercados em Expansão
Aqueles que ficaram na ilha também criaram e construíram, maximizando a produtividade das propriedades e plantações da ilha. A indústria da banana floresceu, e seu consumo foi promovido nos Estados Unidos. por um capitão da marinha do estado americano de New England, Lorenzo Dow Baker, cuja empresa “Boston Fruit Company”veio a tornar-se mais tarde, a “United Fruit”. Baker começou a trazer visitantes americanos à Jamaica antes da virada do século XX, em barcos da companhia bananeira, estabelecendo assim as bases para o turismo, que apoia fortemente a economia de hoje.

As frutas cítricas também representam um grande mercado de exportação, e novos híbridos floresceram, incluindo o tangor, resultado do cruzamento da laranja com a tangerina. A procura pelo gengibre jamaicano cresceu com o desenvolvimento da bebida conhecida como ginger ale. O pimento, uma espécie de pimenta local, foi exportado sob o nome de allspice. A Blue Mountain tornou-se marca mundial de café premium, e a produção de rum historicamente gerou grande receita para a ilha.

Durante 30 anos, as ricas minas de bauxita da ilha foram o alicerce da economia, e na década de 1970 a Jamaica fornecia dois terços do alumínio abastecido aos Estados Unidos. Hoje, a economia da Jamaica é apoiada principalmente no turismo, que tem-se desenvolvido, tornando-se uma vigorosa indústria, grande fonte de geração de empregos e de divisas internacionais. A Jamaica também conta ainda com as receitas provenientes da agricultura moderna, incluindo produtos não-tradicionais, como as frutas, verduras, legumes, peixes e frutos do mar para exportação.

f) Pavimentando o Caminho para a Independência
Nos anos de 1930, dois primos, Alexander Bustamante e Norman Manley, fundaram dois partidos políticos – o Partido Trabalhista da Jamaica e o Partido Nacional do Povo – reforçando com isso um espírito de nacionalismo. À meia-noite de 6 de agosto de 1962, numa cerimónia testemunhada pela Princesa Margaret da Grã-Bretanha e pelo Vice-presidente dos Estados Unidos Lyndon Johnson, a bandeira britânica foi baixada e a nova bandeira da Jamaica, preta, verde e ouro foi hasteada em reconhecimento da independência da Jamaica.

O Povo Jamaicano

Os 2,6 milhões de habitantes da Jamaica, com sua distinta união de raças, são o principal patrimônio da ilha. Sua maioria é negra, mas a mistura inclui chineses, indianos, árabes e europeus.

A religião é uma força importante na estrutura social da ilha que conta com histórica tolerância religiosa. A grande maioria dos jamaicanos é de cristãos, e existem comunidades de judeus, hindus e muçulmanos. A Igreja da Jamaica (ex-Igreja da Inglaterra), os metodistas, os batistas e os presbiterianos são o destaque. Os católicos têm uma voz importante na sociedade e um grande número de adeptos. Existem ainda comunidades de Quakers, Adventistas do Sétimo Dia, Cristãos Cientistas e muitas outras. O Rastafarianismo conta também com um grande número de seguidores e com o respeito geral.

Os jamaicanos são conhecidos como um povo simpático, divertido, teimoso, talentoso e impossível de se esquecer. Faz parte do orgulho nacional: vencer os ingleses no críquete, e conquistar  medalhas de ouro  nas Olimpíadas e  títulos de boxe mundial; ter membros da família excepcionalmente brilhantes e bem sucedidos; comprar uma nova casa; manter um negócio de sucesso; a capacidade de sobreviver. O senso de humor do povo jamaicano também é lendário, sutil e ao mesmo tempo direto.

Língua

Os jamaicanos falam o Inglês com uma eloquência única, com sua própria cadência musical.  Quando os  jamaicanos falam patoá , uma mistura de inglês, de diversas línguas do oeste africano  e outros idiomas, a conversa pode ser quase incompreensível para o visitante.

Culinária

A história da Jamaica é também contada por sua cozinha. Antigamente produzida pelos Arawaks, a mandioca é hoje usada no bammie, uma espécie de beiju torrado comido com peixe. Os Maroons desenvolveram uma maneira especial de temperar e cozinhar o porco de forma bem lenta,  que eles chamaram de jerking; hoje o visitante aprecia também os “jerks”de porco, de frango e de carne. Para alimentar bem e de forma mais barata os escravos foi trazido o inhame  da África e  fruta-pão foi  dos mares do  Pacifico Sul.

Para preservar carnes e peixes, os jamaicanos passaram a adicionar a elas pimentas e especiarias. Foi assim que temperos exclusivos como o famoso molho Pickappeppa foram criados. O prato nacional é jamaicano é a ackee com peixe salgado, suavemente temperados. O ackee, originário da África ocidental, é consumido quase  exclusivamente por jamaicanos. Os indianos e os chineses introduziram as influências do curry e do macarrão no cardápio nacional, e a moderna Kingston oferece até restaurantes com especialidades culinárias do Líbano e da Coréia. Os três séculos de domínio britânico garantiram a tradição dos assados e guisados; os pratos populares entre os americanos, como os hamburgers  e a pizza agora podem ser encontrados em toda a ilha.

Frutas tradicionais e exóticas são abundantes na ilha, e incluem a manga, o abacaxi, as frutas cítricas, o mamão, a banana, o jambo e a graviola que são consumidos frescos, ou combinados em sobremesas como na “matrimony”, uma salada de frutas regada a leite condensado.

Cultura

A música pop da Jamaica, o Reggae, tornou-se conhecido e amado em todo o mundo graças ao lendário Bob Marley. As pinturas e esculturas de artistas jamaicanos, agora são vistos em todos os continentes, bem como na Galeria Nacional de Kingston. A National Dance Theater Company, conhecida no exterior, sempre procura mostrar  a história da Jamaica através da dança, de forma colorida mas com a sofisticação contemporânea. Já grupos como o Folk Singers Jamaica apresentam a música e a dança jamaicanas por meio de rituais que remontam ao passado do país. Na agitada cena teatral de Kingston, há sempre uma variedade de peças locais e internacionais, que vão desde as comédias aos espetáculos de cabaré. A literatura jamaicana floresce tanto na ilha quanto em outros países onde se estabeleceram jamaicanos.

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